Trabalho ou vida social? Carreira ou família? Como fazer melhores escolhas para equilibrar a vida.

Este artigo não tem a pretensão de salvar a vida pessoal ou profissional de ninguém, porém é um ótimo subsidio para chegarmos a algumas respostas que somente podemos chegar sozinhos, do tipo: Dou prioridade ao trabalho ou a família? A carreira é mais importante que a vida social? Vale a pena sacrificar a vida pessoal em razão da profissional?

Dormindo no escritório.

Desde muito cedo em nossas vidas passamos a fazer escolhas. Nosso dia-a-dia é uma sequência de escolhas. Pensamos no que vamos vestir, no que queremos comer no almoço, nas incontáveis atividades pendentes no serviço, no melhor caminho pra tentar evitar o trânsito e, claro, no que vamos fazer com o nosso tempo livre (se é que você tem tempo livre).

Acontece que muitas vezes tudo isso vai ficando automático. Vestimos as mesmas roupas, almoçamos “o de sempre”, realizamos as atividades da mesma forma, pegamos as mesmas ruas e avenidas e usamos nosso tempo livre para as mesmas coisas (ou continuamos sem ter tempo livre algum).

Cuidado para não ter a vida social e profissional do Dwight.

O que não percebemos é que criamos um padrão de escolhas e que, com isso, elas deixam de ser escolhas. Não se pensa mais, simplesmente se faz. Foi pensando nisso que o blogueiro Ron Ashkenas, parceiro da consultoria de gerenciamento americana Schaffer Consulting e autor de livros como The GE Work-Out, The Boundaryless Organization e Simply Effective, escreveu o post sobre o qual falamos hoje.

Em sua pesquisa de doutorado, Ashkenas comparou o sucesso na vida familiar com o sucesso na vida profissional, tendo como grupo de estudos professores de medicina. Não foi surpresa para ele quando os dados revelaram que os professores com maior sucesso na carreira -– aqueles com pesquisa extensiva, prêmios nacionais e posses -– eram aqueles que mais se divorciavam e se afastavam dos filhos.

A verdade é que eles (ou a maioria deles, pelo menos) não escolheram conscientemente sacrificar suas vidas familiares em prol da carreira. Foram as pequenas trocas que fizeram ao longo dos anos — como ficar no laboratório em vez de assistir à apresentação do filho na escola, por exemplo -– que, acumuladas, resultaram em sucesso na carreira e fracasso na convivência familiar. Isso me lembra um pouco o filme Click (2006), em que o protagonista automatiza suas decisões mais triviais e acaba por simplesmente ver sua vida passar, sem ter controle sobre ela.

Por isso, cabe parar para refletir sobre quais são realmente nossas prioridades, não apenas para o futuro próximo, mas para a vida toda. Por que temos (ou queremos ter) família? Por que trabalhamos e por que escolhemos nossa profissão? São perguntas simples ao que parece, mas que deveriam estar presentes o tempo todo em nossa mente para mantermos nosso caminho com foco no que realmente queremos.

Ron lembrou-se disso quando leu que Jeff Kindler -– CEO da farmacêutica Pfizer -– decidiu deixar a empresa por causa do estresse e de como isso estava afetando sua família (se existiam outras razões, provavelmente nunca saberemos). O que se sabe é que Kindler é bastante devoto a sua família, mas também é óbvio que o cara trabalhou muito para chegar ao cargo de CEO de uma das companhias mais conhecidas do planeta. E foi exatamente nos quatro anos que liderou a Pfizer que ele descobriu (na prática) que é muito difícil unir família e carreira e conseguir se dar bem nos dois campos. (Então não se gabe por já saber isso na teoria, hem?)

Sim, porque você já sabe disso. Ainda que de forma menos dramática ou pública, todos nós eventualmente encaramos um dilema similar. Para tornar-se um profissional de sucesso (e mesmo para sustentar a família) quase sempre são necessárias horas e mais horas de trabalho duro. Ashkenas comenta que, no livro Fora de Série, de Malcolm Gladwell, o autor diz que são necessárias 10 mil horas (ou ao menos dez sólidos anos) de prática para atingir maestria na maioria das profissões. E, ainda que isso possa ser questionado, intuitivamente faz sentido (não?). O único problema é que gerenciar é diferente em cada ramo, em cada empresa diferente, o que implica que para gerência provavelmente são necessárias umas horinhas a mais para se conseguir essa maestria… (E você achou que seria fácil?)

Trabalho e família

Mas parece que a maioria de nós não considera muito o quanto de esforço, energia e tempo são gastos para investir num determinado cargo; o que consideramos é o balanço entre o sucesso profissional e o pessoal (como uma equação). Como resultado — assim como os médicos do estudo de Ron — nós fazemos milhares de pequenas escolhas (quase invisíveis) de como gastar nosso tempo (aquele que todos nós não temos) e isso nos leva a certos destinos. Nessas escolhas estão coisas simples como “vou terminar um relatório ou vou jantar com a minha família?”, “viajo e fico vendo e-mails ou deixo tudo de lado pra curtir as férias?” ou ainda “desisto de um final de semana pra resolver uma crise ou continuo com meus planos?”.

Com tudo isso, sabemos que em geral não há uma resposta certa ou errada. O que há são os resultados dessas nossas ações (que podem nos agradar ou não). Qualquer uma delas tem suas justificativas. Acontece que o costume de sempre ir para um lado ou para outro acaba criando um “padrão de escolhas”, que com isso deixam de ser conscientes -– simplesmente “acontecem” naturalmente. Torna-se costume sempre fazermos horas-extra, ou sempre deixarmos de lado coisas importantes da empresa, sem que atentemos a isso. Mas e se nós não estivermos criando o padrão de vida que queremos? Exato. Isso pode gerar estresse e a tal busca de si que muitas pessoas comentam entre doses de whisky e que também afetou Kindler, que deixou o cargo de CEO na sua melhor fase.

Ron nos aponta uma saída dizendo que, se há uma lição a ser aprendida com sua pesquisa e com a história de Kindler, é que todos nós devemos ser mais conscientes das nossas escolhas -– mesmo as mais triviais — entre o lado profissional e pessoal. E que, em vez de confrontarmos as pequenas escolhas como independentes, devemos criar nosso contexto pessoal e nos perguntarmos o seguinte:

  • Qual o balanço que quero ter entre carreira profissional e vida pessoal?
  • Se você tivesse que fazer uma escolha honesta, qual seria mais importante?
  • Quais são seus objetivos nessas esferas, como fazer para que ambos sejam satisfatoriamente conquistados?

São perguntas fáceis de serem feitas, mas difíceis de serem respondidas, não somente para quem está em início de carreira, mas também para quem está no meio e no fim dela. Porém, se não pensarmos nisso — agora e esporadicamente — corremos o angustiante risco de um dia olharmos para o passado e percebermos que fizemos mais escolhas erradas do que certas, que acabamos por não conduzir nossas vidas como gostaríamos, e que aquele tempo não pode mais ser recuperado. Então aja agora para evitar essa situação, e se você já se vê nesse cenário, reúna todas as suas energias para aproveitar todo o tempo que ainda resta para você, sua família e — por que não? — sua profissão.

 

FONTE: http://blogs.hbr.org/ashkenas/2010/12/how-trivial-decisions-will-imp.html

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