Descobrir caminhos – uma voz (capítulo 11)

No décimo primeiro capítulo do livro “O 8º Hábito”, intitulado “Uma voz – descobrir caminhos para chegar à visão, valores e estratégias compartilhadas”, Stephen Covey introduz o segundo papel do líder: Descobrir caminhos.

Depois de passar os quatro capítulos anteriores falando sobre Modelagem, chegou a hora de aprendermos a demonstrar aos outros como uma pessoa que encontrou a própria voz age nos outros três papéis prioritários de um líder (descobrir caminhos, alinhar e fortalecer) começando por “Descobrir caminhos”.

O maior desafio de Descobrir Caminhos é unir em uma única voz pessoas que diferem em sua maneira de ver o mundo, ou seja, criar uma Visão, Valores e Prioridade Estratégica compartilhadas.

Diferente do que se acredita a visão, missão, valores e estratégias devem ser geradas por todos envolvidos em uma organização, para que criem identificação e envolvimento. O processo de criação é tão importante e forte quanto o próprio produto se desejamos obter conexão emocional. Por este motivo é que visões, valores e estratégias criados somente pela alta gerência costumam fracassar com os funcionários da linha de frente.

“Determinar em conjunto o destino da organização (visão e missão). Então todos se sentirão responsáveis pelo caminho que conduz ao destino (valores e plano estratégico).”

Segundo Covey, duas primeiras perguntas que um líder deve fazer para saber se a visão, missão, valores e estratégia da organização são eficazes:

1º As pessoas entendem claramento os objetivos da organização?

2º Estão engajadas neles?

O líder deve estar atento a quatro fatores antes de estar completamente preparado para executar seu papel de descobridor de caminhos. São eles:

  • MERCADO – Como as pessoas de sua organização ou equipe veem o mercado? Qual o contexto político, econômico e tecnológico mais amplo? Quais são as forças concorrenciais? Quais são as tendências e características do ramo de atividade? Há possibilidade de surgimento de tecnologias e modelos de negócio de ruptura que possam tornar obsoleto todo o ramo de atividades ou uma tradição básica?
  • COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS – Quais são as forças exclusivas? Em que você é realmente bom (MENTE)? O que o apaixona realmente (CORAÇÃO)? O que as pessoas estarão dispostas a pagar (CORPO)? O que a consciência nos aconselha (ESPÍRITO)?
  • DESEJOS E NECESSIDADES DOS PRINCIPAIS ENVOLVIDOS – pense em todas as necessidades dos principais envolvidos, porém coloque em primeiro lugar o cliente-alvo. O que eles desejam e precisam realmente? Quais seus problemas e preocupações? Qual a realidade do ramo de mercado onde operam? Quais tecnologias ou modelos de negócios que poderiam prejudicá-los ou torná-los obsoletos? O que os proprietários desejam? E os fornecedores, parceiros, empregados, comunidade, meio ambiente?
  • VALORES – Quais os valores dessas pessoas? Quais os nossos valores? Qual o propósito central da organização? Qual a estratégia central para atingir os objetivos? Para que fomos contratados?

É de fundamental importância responder todas as questões acima com a maior precisão possível antes de focarmos.

Obtendo sintonia

Se a pessoa aceita minha visão é por que ela acredita no que faço e confia em mim. Dá mais crédito a minha experiência do que a sua. Por outro lado, se a pessoa se sente competente e desejosa de se envolver e eu apenas lhe comunico ou anuncio meu plano como nosso plano, então ela não sente nenhum compromisso emocional.

Portanto, uma declaração de missão eficaz sempre ocorre quando há (1) suficiente número de pessoas que estão (2) plenamente informadas (3) interagindo de modo livre e sinérgico (4) num ambiente onde reina a confiança.

Descobrindo caminhos

Descobrir caminhos nada mais é do que decidir o que a organização – seja ela uma família ou equipe de trabalho – vai focalizar.

Isto é feito por meio de um processo interativo onde é definido por escrito uma declaração de missão e um plano estratégico (proposição de valor e objetivos). A declaração de missão deve abranger nosso sentido de propósito, nossa visão, e nossos valores.

O plano estratégico é uma declaração concisa de como ofereceremos valor a nossos clientes e principais envolvidos – é a proposição de valor. É nosso foco. É a voz da organização. Para chegar a isso precisamos saber quem são nossos clientes e principais envolvidos, quem queremos que sejam, o produto e serviço que lhe ofereceremos e nosso plano, incluindo cronograma que indique quando alcançar determinados objetivos em termos de captação e manutenção de clientes.

Necessidades da organização

O paradigma da pessoa integral se aplica também as organizações:

  • CORPO – sobrevivência – saúde financeira.
  • MENTE – crescimento e desenvolvimento – crescimento econômico, aumento de clientes, inovação de produtos e serviços, aumento da competência profissional e institucional.
  • CORAÇÃO – relações – forte sinergia, sólidas redes e parcerias externas, trabalho de equipe, confiança, atenção, valorização das diferenças
  • ESPÍRITO – sentido, integridade, participação – servir e elevar os principais envolvidos: clientes, fornecedores, empregados e suas famílias, comunidades, sociedade, fazer diferença no mundo.

Plano estratégico

Baseado na missão, visão e valores, e levando sempre em consideração as Necessidades da Organização é elaborado o Plano Estratégico. Este, deve sempre começar pelo cliente. Num sentido muito concreto só existem dois papéis nas organizações: fornecedores e clientes. A essência dos bons negócios é a qualidade da relação entre clientes e fornecedores.

Quando a declaração da missão e o plano estratégico são entendidos metade da batalha está ganha, pois a criação mental, emocional e espiritual já teve lugar. Segue-se então para a criação física, a execução da estratégia. Isso significa que é necessário montar a estrutura, colocar as pessoas certas no cargo certo, com as ferramentas e o apoio certos, e então sair do caminho e ajudar quando solicitado.

Quer testar a missão e planejamento estratégico de sua organização? Chegue perto de qualquer pessoa, em qualquer nível da organização, e veja se ela é capaz de descrever como contribui para o plano estratégico e se está em harmonia com os princípios que o regem.

O último alerta de Covey sobre o assunto deste capítulo é sobre a quantidade de objetivos estratégicos de uma organização: é de fundamental importância que eles sejam poucos, para não confundir e manter as pessoas focadas.

Este artigo se trata de um pequeno resumo do capítulo 11 do livro “O 8º Hábito” de Stephen Covey. Saliento que a leitura do mesmo jamais substitui a leitura do original, que contém diversos exemplos e aprofunda conceitos fundamentais.

Não perca a análise do capítulo 12 no próximo mês…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *