A equação da tomada de decisão

Todos têm que tomar decisões todos os dias, o tempo inteiro. Algumas muito simples, como:

  • Atravessar a rua com sinal aberto ou esperar fechar?
  • Responder um e-mail agora ou depois?

Outras nem tanto:

  • Trocar de Emprego?
  • Pedir a namorada em casamento?

O que não percebemos é que a decisão certa, nem sempre é certa para sempre. Vamos tentar analisar isso a partir de 02 simples situações:

Situação 1:Duvida

Imagine que certo dia você está indo para uma entrevista de emprego que pode ser a oportunidade da sua vida, já atrasado você vê seu ônibus chegando ao ponto, e o próximo passa só daqui a 40 minutos. Você encontra-se do outro lado da rua, nesse momento você decide se arrisca atravessar a rua com o sinal, para pedestre, fechado. O que você faz se?

  1. A rua estiver bloqueada em função de uma obra, sem fluxo de veículos;
  2. Observa um veículo se aproximando lentamente, e ainda bem longe;
  3. Percebe uma Ferrari, em alta velocidade, chegando perto.

É racional pensar que atravessaríamos a rua na situação “a”, estaríamos propensos a atravessar na situação ”b”, e ficaríamos parados e perderíamos o ônibus na situação “c”. Tudo bem que alguns de vocês pode não concordar e vai dizer que está disposto a “correr o risco”, mas risco não é o assunto aqui.

Neste exemplo, meio bobo, “atravessar a rua” pode ou não parecer uma decisão correta. O processo de decisão acaba sendo o resultado de um conjunto de variáveis, que por definição são variáveis no tempo, assim se elas mudam, a decisão muda. Se a rua ceder e uma cratera se abrir na sua frente, você não atravessa.

Isso pode ser uma resposta para a pergunta que volta e meia escutamos: “Mas a 2 horas atrás, você disse isso, agora já mudou de ideia?”, não precisa dizer que é uma metamorfose ambulante, apenas mencione que alguma das variáveis mudou.

Na situação 1, não há complexidade na resposta, chegamos no meio fio, observamos e tomamos a decisão, as variáveis são limitadas e conhecidas.

Para complicar um pouco, vamos a situação 2.

Situação 2:

Você está insatisfeito com seu emprego, seu salário não é condizente com sua qualificação, não se sente valorizado na sua função e deve decidir se expõe tal situação para seus superiores, mesmo correndo o risco de ser mal interpretado e perder seu emprego. O que você faz se?

  1. A empresa está expandindo, o mercado de trabalho está cheio de oportunidades e com falta de mão de obra?
  2. O cenário econômico está ruim e você vê o desemprego crescendo da televisão, e seu 2º filho nasce daqui a 2 meses?

Como na situação 1, os dois cenários acima são dados, ou seja, as variáveis são conhecidas, você tem condições de analisar a situação com todas as cartas na mesa.

Mas existem variáveis ocultas, que não estão no seu modelo de decisão, muitas vezes não conseguimos mapeá-las. Imagine, agora, para essa mesma situação os seguintes cenários que você saberá somente depois de algum tempo.

  1. Adicione ao cenário “b”, um projeto de reestruturação, que você DESCONHECE, que tem o objetivo de reduzir o quadro funcional em 20%.
  2. Você NÃO SABE, mas seu chefe tem uma bela oportunidade para oferecer ou para você ou para seu par que está em outra filial da empresa. Como ele não tem argumentos para decidir, a oportunidade será dada para quem, primeiro, se mostrar insatisfeito com a posição atual.

Agora estamos enfrentando uma situação de incerteza e, quando se fala em incerteza, se fala em probabilidade. Assim, a probabilidade de tomar a decisão “correta” pode mudar com a probabilidade de mudança de cenário. Um bom exercício em situações como esta é fazer a si mesmo a pergunta “e se????”.

“E se meu chefe está esperando minha pro-atividade?”

“E se o mundo acabar amanhã?”

“E se o carro acelerar?”

“E se a economia melhor?”

A cada pergunta “e se?”, avalie se o cenário que você criou tem alguma probabilidade de ocorrer. Se você perguntar “e se meu chefe for um alienígena???”, você deve avaliar imediatamente que a probabilidade deste cenário ser verdadeiro é ZERO (embora, as vezes, esse pensamento parece fazer sentido). É um exercício para testar, mesmo que mentalmente, qual seria o resultado de sua decisão se o cenário, em que ela foi tomada, mudar.

Não é a toa que existem modelos matemáticos sofisticados para auxílio na tomada de decisão, mas, mesmo estes modelos não têm todas as variáveis, pelo simples fato de que são feitos por pessoas.

Lembre-se, existem milhões de iterações que nos cercam, mas nosso modelo de decisão é limitado a nossa capacidade de mapear as variáveis é restrita Então gaste mais tempo pensando, principalmente se for uma grande decisão.

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